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Pedidos de pesquisa para terras raras disparam, mas bloqueio de R$ 22,7 milhões no orçamento da Agência Nacional de Mineração preocupa avanço do setor

Levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) aponta que o Brasil registrou um crescimento expressivo nos pedidos de autorização de pesquisa para terras raras desde 2023, refletindo o aumento do interesse por minerais considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.

Foto: divulgação/ Memória 

De acordo com informações da Agência Nacional de Mineração, entre 2023 e o início de junho deste ano foram protocolados cerca de 3 mil requerimentos de pesquisa, enquanto entre 1975 e 2022 foram registrados 745 pedidos. As terras raras reúnem 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos, cabos de transmissão, equipamentos médicos, dispositivos eletrônicos, foguetes e sistemas de defesa. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China.

O aumento da demanda ocorre em um momento de preocupação com o bloqueio de R$ 22,7 milhões no orçamento da ANM. Segundo o diretor-presidente da autarquia, Mauro Sousa, a restrição financeira obrigará a revisão de prioridades, o que poderá atrasar atividades consideradas estratégicas e comprometer o cumprimento de acordos internacionais firmados pelo país na área de minerais críticos.

Atualmente, a unidade responsável pelos minerais estratégicos na agência conta com apenas quatro servidores, responsáveis por estudos e ações relacionadas ao tema. Conforme a direção da ANM, a limitação de recursos reduz a capacidade institucional de atender aos compromissos assumidos pelo Estado brasileiro e pode afetar o avanço de investimentos no setor.

Além das atividades ligadas às terras raras, os cortes orçamentários também poderão impactar leilões de áreas para mineração, análises de processos minerários e fiscalizações de barragens. Caso a restrição seja mantida, 43 barragens e 18 pilhas de mineração previstas para receber inspeções técnicas até o fim do ano poderão ficar fora do cronograma, atrasando avaliações de segurança, liberações de projetos e o início de novos empreendimentos minerais.

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