A empresa canadense Canamera Energy Metals iniciou uma campanha de sondagem no projeto São Sepé, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de avaliar o potencial de ocorrência de terras raras na região. O programa começou no dia 1º de maio e prevê cerca de 500 metros de perfurações por trado em três áreas consideradas prioritárias.
![]() |
| Foto: divulgação |
De acordo com as informações divulgadas pela companhia, os alvos exploratórios foram definidos após análises de 46 amostras superficiais de solo coletadas pela empresa iFind Mining em profundidades de até 70 centímetros. As áreas receberam os nomes de Sara, Erica e Maya.
A companhia informou que os resultados iniciais apontaram concentrações consideradas promissoras de TREO, sigla usada para óxidos totais de terras raras, além de MREO, relacionado aos óxidos magnéticos desses minerais. Também foram identificadas concentrações anômalas de disprósio e térbio, elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.
Apesar do anúncio, o projeto ainda está em fase inicial de exploração mineral. A existência de anomalias no solo não confirma, neste momento, a viabilidade econômica da área, nem garante a presença de reservas minerais comercialmente aproveitáveis.
A campanha deverá durar entre quatro e seis semanas e terá como foco verificar se as anomalias encontradas na superfície possuem continuidade em profundidade e lateralmente. Parte das perfurações será realizada dentro da formação geológica conhecida como Granito São Sepé.
A Canamera possui opção de adquirir até 100% do projeto, dentro de um acordo firmado com a iFind Mining em outubro de 2025. O interesse da companhia está relacionado ao potencial de mineralização em argilas de adsorção iônica, modelo geológico que vem despertando atenção internacional por possibilitar, em alguns casos, processos menos complexos de extração e beneficiamento.
Segundo Brad Brodeur, CEO da Canamera, a definição das três áreas-alvo e os resultados obtidos nas amostras superficiais oferecem um “caminho claro” para a próxima etapa dos trabalhos de exploração mineral.
O avanço das pesquisas ocorre em meio ao crescimento da demanda global por minerais críticos, utilizados na transição energética e em novas tecnologias. O Brasil tem atraído interesse de empresas estrangeiras devido ao potencial geológico em minerais como terras raras, lítio, níquel, cobre e grafita.
Mesmo com o interesse crescente do mercado, especialistas apontam que projetos dessa natureza ainda precisam avançar por diversas etapas técnicas, incluindo sondagens mais profundas, estudos metalúrgicos e análises econômicas, antes de serem considerados empreendimentos viáveis para produção comercial.

0 Comentários