A falta de duplicação da BR-290 continua sendo motivo de preocupação para lideranças políticas e representantes do setor produtivo da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Considerada uma das principais ligações rodoviárias do Estado, a estrada conecta municípios como São Gabriel, Rosário do Sul, Santana do Livramento, Quaraí e Uruguaiana, mas segue com problemas estruturais, trechos deteriorados e carência de investimentos no segmento sul da rodovia.
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| Foto: Reprodução/ Ilustrativa |
De acordo com representantes da região, a precariedade da BR-290 interfere diretamente na segurança viária, no transporte de cargas e no desenvolvimento econômico da Fronteira Oeste. A assessora especial da Secretaria-Geral do Governo do Estado e ex-prefeita de Santana do Livramento, Ana Tarouco, afirmou que a situação da estrada já ultrapassou a necessidade de manutenções paliativas, como operações de tapa-buraco.
Ela destacou ainda que a rodovia integra o corredor internacional do Mercosul, utilizado na conexão com Argentina e Uruguai, além de servir como acesso ao porto seco de Uruguaiana. Apesar da relevância estratégica, os projetos de duplicação seguem concentrados no trecho entre Porto Alegre e Cachoeira do Sul.
O prefeito de Quaraí e presidente do Codepampa, Jeferson Pires, afirmou que a BR-290 representa hoje o principal obstáculo logístico da Fronteira Oeste. Segundo ele, a região depende praticamente apenas da rodovia para deslocamentos e escoamento da produção, já que não conta com alternativas estruturadas de transporte ferroviário, hidroviário ou aéreo.
Já o prefeito de Itaqui, Leonardo Betin, ressaltou que a lentidão nas obras e a ausência de prioridade nos investimentos federais dificultam o crescimento econômico regional. Segundo o prefeito, a capacidade da rodovia não acompanha a expansão da produção agrícola, gerando dificuldades no transporte de mercadorias e insegurança para novos investidores.
Em vistoria realizada no trecho entre Rosário do Sul e São Gabriel, foram observados diversos pontos com desgaste acentuado no asfalto, remendos e buracos, principalmente em áreas de intenso fluxo de caminhões.
As lideranças também alertam para a inexistência de um planejamento consolidado voltado à duplicação da metade sul da BR-290. Atualmente, não há projeto executivo definido para ampliação da capacidade da via no trecho que atende a Fronteira Oeste.
Durante encontro promovido pela Federasul, representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informaram que a rodovia recebeu aproximadamente R$ 60 milhões em recursos federais ao longo de 2026. O montante, entretanto, é considerado insuficiente diante dos custos previstos para execução das obras de duplicação.
Sem definição de novos projetos e ainda dependente de investimentos federais, a BR-290 permanece como um dos maiores gargalos de infraestrutura da metade sul do Estado, impactando diariamente o transporte de cargas, passageiros e a integração econômica com países do Mercosul.

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