As reservas conhecidas de terras raras no Brasil possuem valor estimado equivalente a cerca de 186% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que representa quase duas vezes o tamanho da economia nacional. Esses minerais estratégicos também ocorrem em diferentes regiões do território brasileiro, incluindo áreas do Rio Grande do Sul, onde municípios como Caçapava do Sul já foram alvo de estudos e pesquisas geológicas relacionadas ao potencial mineral.
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| Foto: Reprodução |
Esses elementos são considerados fundamentais para diversas cadeias industriais modernas, sendo utilizados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética e ao avanço da inteligência artificial.
De acordo com levantamento divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, o cálculo do valor dessas reservas considera os preços internacionais dos minerais e dados econômicos recentes. O estudo também aponta que o Brasil possui reservas de níquel avaliadas em cerca de 12% do PIB, reforçando a relevância do país no cenário regional de minerais estratégicos.
As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos amplamente empregados na produção de ímãs permanentes, dispositivos eletrônicos, catalisadores industriais e equipamentos utilizados em sistemas tecnológicos avançados. Apesar do nome, esses minerais não são necessariamente raros na natureza, porém o processo de extração e refino costuma ser complexo, custoso e ambientalmente sensível.
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a América Latina reúne parte significativa das reservas globais de minerais estratégicos necessários às novas cadeias industriais. O estudo destaca que o Chile concentra reservas de cobre avaliadas em cerca de 526% do PIB nacional, enquanto o Peru possui reservas estimadas em 310% e o México cerca de 26%.
O relatório também aponta que a presença de grandes reservas minerais não garante automaticamente desenvolvimento econômico. Para transformar esse potencial em crescimento sustentável, são necessários fatores como infraestrutura logística adequada, disponibilidade de energia e água, segurança regulatória e eficiência nos processos de licenciamento ambiental.
Outro aspecto destacado é a concentração global do processamento desses minerais, atualmente dominado pela China, especialmente no caso das terras raras. Essa realidade tem levado países como Estados Unidos e integrantes da União Europeia a buscar novas cadeias de fornecimento para reduzir a dependência de poucos produtores.
A tendência é de aumento da demanda por minerais estratégicos nas próximas décadas, impulsionada pela expansão de veículos elétricos, geração de energia renovável e pela digitalização da economia. O avanço da inteligência artificial também contribui para ampliar a necessidade de metais utilizados na fabricação de chips, servidores e equipamentos eletrônicos, cenário que reforça a importância das reservas minerais existentes no Brasil.

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