O interior gaúcho enfrenta um dos momentos mais delicados do ano no campo, justamente quando a lavoura pede atenção redobrada: o óleo diesel está sumindo das bombas e subindo de preço em todo o Estado, e os efeitos já batem direto nas porteiras. Produtores não conseguem abastecer as máquinas, os caminhões demoram a chegar e o calendário de plantio da safra de verão começa a atrasar — e ninguém sabe ainda quando a situação vai se acomodar. É nesse cenário que entidades do setor vêm cobrando providências urgentes das autoridades responsáveis pelo abastecimento.
De acordo com a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o quadro é grave e atinge diretamente o dia a dia no campo. Segundo documento encaminhado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta terça-feira (29), o setor agropecuário depende inteiramente do óleo diesel para preparar a terra, colocar as lavouras no campo, movimentar máquinas e levar insumos e produção — e a falta já está fazendo serviço parar. Conforme registros encaminhados, a escassez não é igual em todo lugar: uns têm pouco, outros nada, e os valores variam muito de um ponto a outro, chegando a passar dos R$ 7,70 por litro em algumas localidades.
O caso mais urgente vem de Pedras Altas, onde a implantação de lavouras de arroz está completamente parada. O diesel S500, mais usado no campo, não é fornecido há tempo; o S10 aparece de forma esporádica a R$ 7,55 o litro. Em apenas uma semana, o preço subiu de R$ 6,02 para R$ 7,40, com compradores esperando em fila nas bombas.
Em Caçapava do Sul, o fornecedor Fita Azul recebeu 10 mil litros de S500 a R$ 7,50 o litro, mas cada produtor pode levar no máximo 3 mil litros — quem precisa de mais volume fica sem.
Já em Lavras do Sul, a oferta de S10 chega a R$ 7,70 o litro, enquanto o S500 está completamente indisponível. A falta desse tipo específico de combustível é o problema mais recorrente em diversas regiões produtoras do Estado.
Conforme levantamento detalhado pela Farsul e enviado à ANP, a situação se apresenta diferente em cada município:
- Santa Bárbara: não há S500 para entrega nas propriedades; S10 a R$ 7,30 o litro na bomba
- Cruz Alta: fornecedores limitam os pedidos e não garantem entrega; S500 a R$ 6,89 e S10 a R$ 7,10, só direto na bomba
- Glorinha e Gravataí: há produto nos postos, mas volume limitado a 1 mil litros sem cadastro
- Pelotas: S500 indisponível; S10 a R$ 7,29 com prazo de pagamento de dez dias
- Rosário do Sul: S500 a R$ 6,89 e S10 a R$ 7,09 o litro
- Restinga Seca: fornecedor consegue atender só metade do pedido de S10; S500 sem previsão
- Dom Pedrito: sem maiores problemas; S10 a R$ 7,19 e S500 a R$ 6,89
- Espumoso: sem cotação atual; último S500 foi a R$ 6,49
- Região Noroeste: S500 limitado a 150 litros por abastecimento, em média R$ 6,99; S10 mais disponível a R$ 7,10
O gargalo maior está no diesel S500, essencial para máquinas agrícolas e frotas mais antigas. Em muitas localidades, o que existe é só na bomba e em pequenos volumes; em outras, ninguém sabe quando chega. A Farsul já havia protocolado mais dois ofícios cobrando providências na sexta-feira anterior.
Diante do cenário, o superintendente de Distribuição e Logística da ANP, Diogo Valério, garantiu ao presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, a aquisição de 14 milhões de litros de diesel S500 junto à Petrobras para o Rio Grande do Sul, com o objetivo de aliviar o abastecimento justamente no período de plantio da safra de verão.
A expectativa agora é que o combustível chegue logo às propriedades, antes que o atraso no campo comprometa a produção de quem trabalha a terra durante todo o ano.

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