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Lobo-guará ameaçado de extinção é registrado em cânion do RS

Um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) foi avistado se alimentando próximo à Trilha do Mirante, no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul. O registro ocorreu na área que integra o complexo de cânions dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral, e foi divulgado na quarta-feira (8).

 

Foto: Leonardo Ferreira/Arquivo pessoal

Conforme a bióloga e pesquisadora Juliana Nascimento Martins, do Instituto Guarabaio, essa é a primeira vez que se registra um exemplar da espécie se alimentando de um tatu — um acontecimento considerado um marco relevante para os estudiosos do animal.

A única população conhecida de lobos-guarás no Rio Grande do Sul vive nos Campos de Cima da Serra e é acompanhada de perto por equipes de pesquisa e gestão das unidades de conservação. Cambará do Sul é o único município gaúcho onde esse grupo é monitorado de forma contínua desde 2023.

A espécie é extremamente rara no Estado e está classificada como criticamente em perigo, o nível mais alto de ameaça antes da extinção na natureza — ou seja, seus números no RS são muito pequenos e bastante vulneráveis.

Originalmente associado ao bioma Cerrado, o lobo-guará desapareceu de grande parte do Rio Grande do Sul em função da caça. Atualmente, porém, os maiores riscos são a perda e o fracionamento das áreas naturais. O animal depende de campos nativos, brejos e banhados para se alimentar, se abrigar e circular, e as alterações nesses espaços reduzem cada vez mais suas chances de sobrevivência.

Outras causas que ameaçam os poucos exemplares existentes são os atropelamentos em rodovias e a transmissão de doenças levadas por cães domésticos.

Informações sobre como o animal age, o que come, quais locais usa e em que horários se movimenta são essenciais para criar estratégias eficazes de proteção. A população também pode colaborar: basta registrar a fauna com cuidado e compartilhar esses dados com as equipes responsáveis.

Caso encontre um lobo-guará, a orientação é manter a calma e respeitar seu espaço. O ideal é observar de longe, sem chegar perto, oferecer comida ou interferir no que ele está fazendo. Se for possível fotografar ou filmar sem perturbar, esse material ajuda muito os estudos.

— Ver um lobo-guará na natureza é algo muito raro e um privilégio. A melhor forma de cuidar dessa espécie é apreciar o encontro com respeito, deixando que ele siga seu caminho naturalmente — destaca a pesquisadora.

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