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Projeto em Lavras do Sul prevê produção anual de 300 mil toneladas de fosfato

O Brasil está entre os países que mais utilizam fertilizantes no mundo e ainda depende significativamente de importações para suprir a demanda interna por fosfato. Atualmente, cerca de 59% desse insumo utilizado no país vem do exterior. Desse volume, aproximadamente 28% abastece a Região Sul e 13% é destinado ao Rio Grande do Sul, cenário que evidencia a vulnerabilidade do setor agrícola diante de conflitos geopolíticos e oscilações no mercado internacional, fatores que podem elevar custos e afetar a produtividade das lavouras.

Foto: Márcio Sapper

De acordo com as informações divulgadas, o Projeto Fosfato Três Estradas, desenvolvido desde 2011 no município de Lavras do Sul, pesquisa a primeira jazida de rocha fosfática identificada no território gaúcho. A iniciativa prevê a produção anual de cerca de 300 mil toneladas do insumo, com o objetivo de contribuir para atender a demanda estadual por fertilizantes, especialmente em solos reconhecidos pela baixa disponibilidade de fósforo.

O primeiro produto comercial do projeto, denominado Pampafos, foi apresentado durante a Expodireto Cotrijal. O fertilizante fosfatado natural possui aplicação direta no solo e libera gradualmente fósforo, além de fornecer cálcio, magnésio e micronutrientes como manganês, zinco e cobalto. O material não passa por processos de mistura ou tratamento químico.

Testes agronômicos realizados desde 2019 indicaram a aplicabilidade do fertilizante em diferentes culturas. Em lavouras de aveia, com aplicação a lanço e dosagem de 100 kg por hectare de P2O5, a produtividade alcançou 92% do resultado obtido com superfosfato triplo na mesma dosagem. No Rio Grande do Sul, a cultura da aveia ocupa aproximadamente 270 mil hectares.

Experimentos realizados com arroz também apresentaram resultados positivos. Em um dos testes, com aplicação de 50 kg por hectare de P2O5, a produtividade registrada foi de 13,2 toneladas por hectare, enquanto o fertilizante convencional apresentou rendimento de 12,8 toneladas por hectare nas mesmas condições.

Segundo a empresa responsável pelo projeto, a proposta é disponibilizar o Pampafos para pequenos e grandes produtores como alternativa para reduzir a dependência de fosfato importado. Inicialmente, a intenção é produzir o fertilizante no Rio Grande do Sul e comercializá-lo prioritariamente no próprio estado.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, com cerca de um milhão de hectares cultivados e produção anual próxima de 8,5 milhões de toneladas. As culturas de arroz e soja concentram aproximadamente 80% do fosfato utilizado no estado.

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