A reestruturação da Ponte do Fandango, em Cachoeira do Sul, avança para uma das fases mais delicadas do cronograma nesta quinta-feira, 26 de fevereiro. A partir das 10h, terá início a operação de içamento da estrutura metálica e do tabuleiro, que serão elevados em 3,14 metros por meio de 12 macacos multicabos, cada um com capacidade para sustentar até 300 toneladas.
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| Foto: Mateus Alves / PlanetaDroneRs |
A intervenção integra o plano de readequação estrutural aprovado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e busca ampliar a altura da ponte para evitar que o tabuleiro volte a ser atingido pelas águas do Rio Jacuí, situação registrada durante a enchente histórica de maio de 2024. Segundo o órgão federal, a medida é considerada essencial para garantir mais segurança e durabilidade à travessia.
Canteiro de obras passa por mudanças estruturais
Enquanto a elevação é preparada, a desmontagem das estruturas antigas dos viadutos de acesso entra na etapa final. A maior parte das vigas e longarinas já foi retirada, restando apenas trechos dos pilares originais. Ao mesmo tempo, novos pilares começam a ser concretados, modificando gradualmente o cenário no entorno da ponte.
O bloqueio total do tráfego, autorizado no início de fevereiro pelo DNIT, possibilitou o avanço para a fase considerada crítica da obra, período que concentra as intervenções mais profundas na estrutura. De acordo com o cronograma inicial, a interdição deve se estender por cerca de cinco meses.
Reforço e modernização da travessia
Além da elevação do tabuleiro, o projeto contempla o reforço dos viadutos de acesso, ampliando a capacidade de carga do trem-tipo de 24 para 45 toneladas. Também estão previstas nova pavimentação e a realocação da passarela de pedestres para o lado direito da pista, permitindo o alargamento da via sem interferir na operação da eclusa existente.
O investimento, estimado inicialmente em R$ 62 milhões, pode ultrapassar R$ 70 milhões ao longo da execução. A expectativa é concluir os trabalhos ainda em 2026.
Travessia alternativa e reflexos no trânsito
Com a ponte totalmente interditada, o deslocamento entre o município e a BR-290 ocorre por meio de balsa gratuita disponibilizada pelo governo federal, com funcionamento 24 horas por dia. Em horários de maior movimento, o tempo de espera pode superar duas horas.
O prefeito Leandro Balardin solicitou ao superintendente regional do DNIT, Hiratan Pinheiro, o reforço da operação com uma segunda embarcação, mas até o momento a medida não foi adotada.
Papel estratégico para a logística estadual
A Ponte do Fandango é considerada fundamental para a ligação das regiões Central e Vale do Rio Pardo com as regiões Sul e Oeste do Estado, além de integrar a rota de acesso ao porto de Rio Grande. Para o DNIT, o reforço estrutural é indispensável para assegurar o escoamento da produção agrícola, insumos e demais cargas que utilizam o corredor rodoviário.
Construída na década de 1960, a estrutura passou a apresentar restrições mais severas a partir de 2021, quando fissuras levaram à interdição total e à adoção do sistema Pare/Siga. Em 2024, uma nova rachadura e a cheia histórica do Rio Jacuí evidenciaram a vulnerabilidade da ponte, consolidando a necessidade da elevação agora em execução.

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