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Estiagem e calor intenso elevam risco de perdas na safra de soja no RS

Com estiagem prolongada e temperaturas elevadas, produtores de soja do Rio Grande do Sul relatam preocupação com perdas na safra, especialmente em áreas sem irrigação. A combinação de pouca chuva e onda de calor tem afetado lavouras em fases decisivas do desenvolvimento da cultura, como florescimento e enchimento de grãos.

Foto: Reprodução 

Em São Borja, na fronteira com a Argentina, o agricultor Fabrício Cecchetto afirma que o estresse hídrico já é visível em grande parte dos 445 hectares cultivados com soja de sequeiro. Em solos mais rasos, as plantas apresentam amarelecimento, desfolha e risco de morte. Apenas a área irrigada, com cerca de 45 hectares, mantém condições consideradas adequadas. Ele ressalta que, para evitar prejuízos mais severos, seriam necessárias chuvas entre 30 e 40 milímetros em curto prazo, além de precipitações regulares na sequência.

Especialistas apontam que o cenário tende a ser desafiador para o Estado nesta safra. Há relatos de perdas superiores a 50% em algumas propriedades, enquanto outros produtores ainda apostam em recuperação parcial caso as chuvas retornem. A produção estadual, no entanto, já não deve alcançar as estimativas feitas no fim do ano passado, de acordo com avaliações técnicas do setor.

No sul do Estado, em Hulha Negra, o produtor Eduardo Ternes Ebert também observa sinais de estresse nas lavouras, com folhas murchas e amareladas em áreas de cerca de 230 hectares. Ele destaca que, apesar de um início de ciclo com chuvas regulares, a redução recente no volume e na frequência das precipitações ocorre justamente no momento em que a demanda por água é maior.

As previsões indicam baixo acumulado de chuva para os próximos dias em diversas regiões produtoras, com volumes mais significativos apenas a partir de meados de fevereiro. Além disso, a persistência do calor intenso agrava a perda de umidade do solo. Técnicos alertam que chuvas isoladas podem não ser suficientes para reverter o quadro, já que o tempo seco tende a retornar rapidamente.

Na região noroeste do Rio Grande do Sul, a situação também inspira cautela. Lavouras em estágios mais avançados registram queda prematura de folhas, especialmente em áreas com menor capacidade de retenção de água. Plantios mais recentes enfrentam germinação irregular e baixa densidade de plantas, havendo casos de replantio. A avaliação é de que haverá redução de produtividade, com lavouras que poderiam atingir altos rendimentos passando a colher volumes bem menores, segundo análises de especialistas e de entidades de assistência técnica.

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